Paraciclismo

De olho em Los Angeles 2028, atleta da Fupes domina pódio no paraciclismo sul-americano

Resultados em Valledupar reforçam projeto da Santos Cycling Team em parceria com o Comitê Paralímpico

Foto: Marcelo Zambrana-CPB/ Prefeitura de Santos
Foto: Marcelo Zambrana-CPB/ Prefeitura de Santos

Redação Publicado em 06/07/2026, às 08h42


O paraciclismo brasileiro alcançou o topo do pódio na Colômbia com protagonismo da Baixada Santista. O ciclista Roberto Neto, atleta da equipe "Santos Cycling Team/Fupes", sagrou-se um dos maiores destaques da delegação nacional nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 ao conquistar duas medalhas de ouro nas provas de contrarrelógio e de estrada da classe C2. Os resultados na competição internacional representam as primeiras vitórias da carreira de Neto fora do território brasileiro.

Na disputa do contrarrelógio, o ciclista cravou o tempo mais rápido da prova ao fechar o percurso em 26min00s68, abrindo uma vantagem de 33 segundos sobre o vice-campeão colombiano Esneider Muñoz, enquanto o chileno Manuel Opazo completou o pódio com o bronze. Já na prova de resistência (estrada), realizada em um trajeto de 45 quilômetros, Roberto Neto assegurou seu segundo ouro ao cruzar a linha de chegada com a marca de 1h15min10s. O colombiano Muñoz repetiu a medalha de prata, chegando 2min06s atrás do brasileiro, e o panamenho Esteban Goddard garantiu a terceira colocação.

"Ganhar essa competição aqui, representando o Brasil em alto rendimento, é uma satisfação muito grande", comemorou Neto, consolidando uma temporada altamente vitoriosa que já contabilizava seis medalhas conquistadas no Campeonato Pan-Americano de Paraciclismo em Indaiatuba (SP), ocorrido em abril.

Superação, pausa na carreira e o sonho de Los Angeles 2028

Roberto Neto compete na classe C2, subdivisão do paraciclismo destinada a atletas com comprometimentos físico-motores que utilizam bicicletas convencionais para competir. A trajetória de superação do ciclista de 39 anos começou em 2006, quando ele sofreu um grave acidente de motocicleta que resultou na amputação de sua perna esquerda. No ano seguinte, ele adotou a atividade esportiva como plataforma de reabilitação e inclusão social e, em 2012, migrou de forma definitiva para o ciclismo de rendimento.

Mesmo em plena ascensão técnica, o atleta santista optou por interromper a carreira esportiva em 2018 para focar na gestão dos negócios de sua família. O retorno oficial às pistas ocorreu apenas em 2024, impulsionado pelo desejo latente de buscar uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, em 2028.

Eu sabia que não tinha fechado um ciclo na minha vida. Havia um sonho lá dentro sempre me cutucando. Ainda tinha algo no ciclismo para realizar”, afirmou o paraciclista.

Suporte técnico e foco na expansão paralímpica

A campanha vitoriosa na Colômbia contou com suporte direto da estrutura santista. Neto viajou acompanhado por Claudio Diegues, coordenador técnico da Santos Cycling Team e membro da comissão técnica da seleção brasileira paralímpica, além do companheiro de equipe Dirceu Almeida, que compete na classe C4.

Para Diegues, o desempenho em Valledupar valida o planejamento de longo prazo e consolida Neto como uma realidade em uma das categorias mais acirradas do cenário internacional. O coordenador enfatizou que o caminho está sendo pavimentado não apenas para consolidar o nome do atleta, mas para fortalecer a base brasileira rumo ao aumento de vagas e competitividade nas próximas Paralimpíadas. Na atual temporada, além do suporte da Fundação Pró-Esporte de Santos (Fupes), a equipe santista conta com o suporte financeiro e logístico do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP), viabilizado por meio da Associação Santista Paradesportiva.