Surfe

De volta à WSL, Gabriel Medina celebra recuperação e mira o tetracampeonato

Brasileiro projeta primeira etapa na Austrália após grave lesão

Medina volta à elite do surfe após cirurgia no ombro - Foto: @willlucass/@timebrasil
Medina volta à elite do surfe após cirurgia no ombro - Foto: @willlucass/@timebrasil

Gabriella Souza Publicado em 02/04/2026, às 13h43


Após enfrentar um longo e desafiador processo de recuperação, Gabriel Medina está oficialmente de volta ao Circuito Mundial da World Surf League (WSL). O brasileiro ficou seis meses afastado devido a uma grave lesão no tendão do ombro esquerdo, sofrida durante um treino em Maresias no início de 2025. Agora, totalmente recuperado, ele foca suas energias na etapa de Bells Beach, na Austrália.

Em entrevista coletiva, o surfista de 32 anos demonstrou confiança para enfrentar o alto nível técnico da atual temporada. Medina destacou que se sente preparado para os próximos desafios e que a pressão das competições é algo que o motiva.

Segundo o atleta, todo o período de reabilitação foi planejado especificamente para que ele estivesse em plena forma na abertura das etapas australianas.

Quarto título mundial

Com três troféus da WSL na carreira, Medina entra em 2026 com o objetivo claro de alcançar o tetracampeonato. Atualmente, apenas as lendas Kelly Slater e Mark Richards superam a marca do brasileiro na categoria masculina. Para o surfista, atingir esse novo feito o colocaria em uma posição de destaque histórico que poucos alcançaram.

Medina reforçou que a competição é o que dá sentido ao seu propósito profissional. Ele afirmou que, embora já tenha atingido grandes metas, a vontade de superar novos limites o mantém focado nos treinos diários. Para ele, o surfe profissional extrai o seu melhor como ser humano, independentemente dos resultados imediatos nas baterias.

  • “Quem consegue ser mais regular em ondas diferentes ao longo do calendário é aquele que se sagra campeão mundial”.

Novas etapas

Uma das grandes novidades da temporada é a inclusão da etapa de Raglan, na Nova Zelândia, que substitui Jeffreys Bay. A mudança agrada aos surfistas de base goofy (que usam o pé direito à frente), como é o caso de Medina. O brasileiro relembrou uma visita ao local ainda na adolescência e celebrou a presença de mais ondas para a esquerda no calendário deste ano.

O presidente da WSL na América Latina, Ivan Martinho, ressaltou que a diversidade de picos nesta temporada exigirá mais versatilidade dos competidores. Medina compartilha dessa visão e se diz animado com passagens por locais como Raglan e Fiji.

  • “Estou animado, tem Raglan, tem Fiji, tem bastante esquerda no circuito e quero surfar bastante esse ano”, ressaltou o atleta.

Superação e foco na saúde

O caminho de volta não foi simples. Medina revelou que o diagnóstico inicial de seis meses fora da água foi um choque, fazendo-o repensar diversos aspectos da vida. No entanto, ele seguiu rigorosamente os protocolos médicos, cuidando da alimentação e do sono para acelerar a cicatrização da cirurgia no ombro.

  • “Em nenhum momento pensei em parar, só quero continuar. O surfe, independente das competições e resultado, como ser humano ele sempre tira o melhor de mim”, afirmou.

Apesar do susto, a ideia de aposentadoria nunca foi cogitada. O surfista afirmou que pretende continuar competindo por muito tempo, pois o esporte é sua principal fonte de aprendizado. Com o adiamento das baterias iniciais em Bells Beach devido às condições do mar, a expectativa é que Medina faça sua estreia oficial nesta quinta-feira (2), enfrentando o mexicano Alan Cleland.