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Entenda a dívida do Santos de R$ 90,5 milhões com Neymar e a garantia do CT Meninos da Vila

Renegociação inclui parcelas e correção pelo IPCA, com riscos de pagamento imediato em caso de atraso

Clube paulista oficializa dívida com a empresa da família Neymar - Foto: Mauricio De Souza / Agif/Gazeta Press
Clube paulista oficializa dívida com a empresa da família Neymar - Foto: Mauricio De Souza / Agif/Gazeta Press

Gabriella Souza Publicado em 07/04/2026, às 09h57


O Santos oficializou o reconhecimento de uma dívida de R$ 90,5 milhões com a NR Sports, empresa pertencente à família do craque Neymar. O valor é fruto de uma renegociação detalhada em um aditivo contratual assinado no final do ano passado, referente a débitos de direitos de imagem do camisa 10.

Com contrato vigente até o fim de 2026, o plano de pagamento estipulado entre as partes projeta a quitação total do saldo apenas no início de 2030.

O cronograma de pagamentos foi dividido em duas partes, uma parcela de R$ 26 milhões (referente a contratos vencidos) a ser paga até maio deste ano, e o montante restante de R$ 64,5 milhões parcelado em 43 vezes a partir de junho, com correção pelo IPCA. O acordo prevê que qualquer atraso em uma das parcelas obriga o Peixe a quitar o valor total de R$ 64,5 milhões imediatamente, à vista.

CT Meninos da Vila como garantia

Um dos pontos que mais chamam a atenção no aditivo é a utilização do patrimônio físico do clube como salvaguarda. O Santos colocou o CT Meninos da Vila como garantia jurídica para o cumprimento da dívida.

Em 2010, a Vila Belmiro chegou a ser dada como garantia judicial em uma ação movida pelo Colégio Santa Cecília, instituição pertencente à família do ex-presidente (e atual chefe do executivo do clube) Marcelo Teixeira. O processo, que veio à tona em outubro de 2010, visava a cobrança de uma dívida de R$ 17 milhões, montante referente a empréstimos feitos pela família ao clube durante a gestão de Teixeira.

Cinco anos depois o estádio novamente foi penhorada por dívidas com Pelé em 2015, a medida gera debates sobre a proteção dos ativos do clube em meio à crise financeira.

Além da garantia imobiliária, a NR Sports impôs condições políticas e estruturais. O documento vincula a estabilidade do acordo à continuidade da gestão de Marcelo Teixeira (cuja reeleição é vista como garantia de recebimento) e define que, caso o Santos se transforme em SAF (Sociedade Anônima do Futebol), a responsabilidade pelo pagamento será integralmente repassada aos novos acionistas.

Histórico de penhoras no Peixe

A situação financeira do Santos e o uso de bens para garantir débitos têm precedentes marcantes. Além do caso envolvendo o Rei Pelé, em 2019 o clube tentou oferecer o estádio da Vila Belmiro para garantir uma dívida de R$ 6 milhões com o fundo Teisa, ação que acabou rejeitada pela Justiça na época. Agora, com um passivo próximo de R$ 1 bilhão, o Peixe tenta equilibrar a manutenção de seu maior ídolo recente com a preservação de sua infraestrutura básica.