Desde 2020, subsolo do Solaris está interditado devido a alagamentos

Gabriella Souza Publicado em 10/02/2026, às 08h47
A chuva forte da última quinta-feira (5), trouxe à tona um problema antigo que tira o sono de quem mora na Vila Valença, em São Vicente. Uma cratera se abriu no asfalto da Rua Pero Lopes de Souza, bem em frente ao Edifício Solaris. A área foi prontamente isolada pela Prefeitura para evitar acidentes com pedestres e motoristas, mas para os condôminos, aquele buraco é apenas mais um capítulo de uma novela dramática que se arrasta há anos.
O prédio vive um impasse. Segundo a Defesa Civil, a abertura do solo está ligada às condições do terreno onde o edifício foi erguido, embora, por enquanto, não haja risco iminente de desabamento que exija a interdição dos apartamentos. Porém, a sensação de insegurança é constante. Um morador relatou que as rachaduras nos corredores e nas unidades estão piorando a cada tempestade.
Subsolo debaixo d'água
O drama do Solaris não é de hoje. O subsolo do prédio está interditado desde 2020, obrigando todos os proprietários a deixarem seus carros na rua. O motivo é assustador: em dias de chuva forte, a garagem chega a ficar completamente alagada, com a água atingindo o teto e trazendo lama e areia.
Em 2025, um incidente parecido já havia acontecido no mesmo local. Naquela ocasião, uma outra cratera surgiu e a Prefeitura apontou que a causa seria uma obra irregular feita no subsolo, descartando falhas na rede de esgoto da Sabesp ou na drenagem municipal.
O jogo de empurra
Enquanto o buraco na rua expõe a fragilidade da estrutura, uma batalha judicial corre nos tribunais desde 2019. O condomínio acusa a construtora de entregar a obra com falhas graves na drenagem, o que estaria provocando o colapso do piso e as rachaduras.
Do outro lado, a defesa da construtora se exime de culpa e aponta um fator externo: as obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Segundo o advogado da empresa, a construção da linha férrea teria criado uma barreira subterrânea, impedindo que a água da chuva escoasse naturalmente para o mar. Sem ter para onde ir, essa água estaria se acumulando e pressionando o subsolo do prédio e a rua. Enquanto a Justiça não decide de quem é a responsabilidade, os moradores convivem com o prejuízo e o medo a cada nova previsão de chuva.
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