Papagaio e saguis apreendidos em Guarujá viviam com a família há anos, mas sem autorização legal

Redação Publicado em 10/02/2026, às 08h43
Uma operação policial realizada na tarde da última sexta-feira (06) trouxe à tona um dilema comum no Brasil: o choque entre o afeto por animais silvestres e a legislação ambiental. Em uma residência no bairro Morrinhos III, em Guarujá, agentes do 1º Distrito Policial encontraram três "integrantes" inusitados da família que, apesar de muito amados, viviam na ilegalidade.
Ao chegarem ao imóvel, os policiais se depararam com um papagaio e um casal de saguis-de-tufo-branco. O que chamou a atenção da equipe não foi o crime de maus-tratos, muito pelo contrário. Segundo o relatório da própria Polícia Civil, os bichos eram tratados como membros oficiais da casa, apresentando ótima saúde, penas brilhantes e comportamento dócil, típico de quem está acostumado com o convívio humano há muito tempo.
Uma vida inteira juntos
A história por trás da apreensão revela laços antigos. O papagaio, por exemplo, já estava com a família há mais de 15 anos, sendo um verdadeiro xodó da casa. Já os saguis conviviam com os moradores há cerca de seis anos.
A estrutura encontrada reforçava o cuidado: havia gaiolas grandes e organizadas, mas, na maior parte do tempo, os animais tinham liberdade. Relatos apontam que eles circulavam pelo quintal e retornavam voluntariamente para dentro de casa, sem correntes ou amarras, movidos apenas pelo costume e pelo vínculo com os donos.
A lei é dura
Apesar de todo o carinho e da ausência de maus-tratos visíveis, a lei brasileira é clara e rígida. Manter animais da fauna silvestre em cativeiro doméstico sem a devida autorização dos órgãos competentes é crime ambiental. Não importa o tempo de convivência ou o estado de saúde do animal; sem a papelada, a posse é ilegal.
Diante disso, o desfecho foi inevitável. A Polícia Civil lavrou um termo circunstanciado e o caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal de Guarujá. Os animais foram recolhidos com cuidado e entregues, inicialmente, ao Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal. Posteriormente, foram levados para a Polícia Militar Ambiental, onde passarão por avaliações de veterinários e biólogos para definir o melhor destino, seja a reintrodução na natureza (se possível) ou o encaminhamento para um santuário ou zoológico.
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