Após vazamento de mensagens, aluno é suspenso e investigação é aberta pela Polícia Civil

Redação Publicado em 02/03/2026, às 08h26
Um estudante calouro do curso de Educação Física foi formalmente afastado de suas atividades após o vazamento de capturas de tela que revelam mensagens de teor violento e ameaças de estupro direcionadas a uma colega de universidade. O conteúdo, que circulou rapidamente pelas redes sociais e grupos de mensagens, motivou não apenas a sanção administrativa por parte da instituição de ensino, mas também a abertura de uma investigação oficial por parte da Polícia Civil para apurar a autoria e a extensão das ameaças.
De acordo com o que foi exposto nas imagens vazadas, as agressões verbais teriam começado após um descontentamento do aluno em relação à interação da jovem nas redes sociais. Ele teria reclamado com amigos que a estudante visualizou suas publicações no Instagram, mas ignorou mensagens enviadas via WhatsApp.
A partir dessa frustração, o tom das conversas subiu drasticamente: o investigado afirmou explicitamente que cometeria um ato de violência sexual caso ela se recusasse a manter relações com ele. Em outro trecho alarmante, o estudante planejava usar uma máscara para agredir a jovem fisicamente durante uma festa universitária ocorrida na última sexta-feira (27), chegando a escrever que a "chutaria na rua".
Resposta institucional e medidas de segurança
Assim que tomou conhecimento do teor das mensagens, a Unisanta agiu prontamente para garantir a segurança da vítima e o cumprimento de seu regimento interno. Em nota oficial, a universidade confirmou que o aluno está proibido de frequentar as dependências do campus e de participar de qualquer atividade acadêmica por tempo indeterminado. A instituição reiterou seu repúdio absoluto a qualquer forma de violência ou desrespeito à dignidade humana, destacando que um procedimento administrativo rigoroso foi instaurado para analisar o caso à luz da legislação vigente.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) também foi acionada para acompanhar o registro da ocorrência. Enquanto a defesa do estudante ainda não foi formalmente localizada para prestar esclarecimentos jurídicos, a vítima optou por não se pronunciar publicamente, preservando sua privacidade diante do trauma causado pelas ameaças. Casos como este acendem um alerta sobre a cultura de violência e a objetificação feminina em ambientes universitários, exigindo respostas rápidas e educativas para evitar que "discursos de ódio" saiam do ambiente virtual para a agressão física real.
Tentativa de justificativa e repercussão
Pressionado pela repercussão negativa, o estudante publicou um vídeo nas redes sociais tentando se explicar. Na gravação, ele admite a autoria das mensagens e pede desculpas à colega, mas tenta minimizar a situação classificando as ameaças como uma "brincadeira" de mau gosto feita em um grupo fechado de amigos. Ele afirmou que "isso não se fala" e que está disposto a assumir as consequências de seus atos, alegando que seu comportamento nas mensagens não reflete sua verdadeira personalidade ou seu histórico na faculdade.
Entretanto, para especialistas em direito e segurança pública, o argumento da "brincadeira" não diminui a tipicidade do crime de ameaça e a gravidade da violência psicológica imposta à vítima. A banalização de termos como "estupro" em conversas privadas é vista como um reflexo de comportamentos perigosos que podem escalar para crimes hediondos. A Polícia Civil seguirá analisando o material digital para verificar se houve incitação ao crime ou outros agravantes, enquanto a comunidade estudantil organiza movimentos de apoio à jovem e de conscientização sobre o combate ao assédio no ambiente escolar.
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