Pacientes acolhidos pelo Seacolhe relatam que o projeto é a única chance de reabilitação após anos sem acesso a dentistas

Redação Publicado em 20/05/2026, às 11h18
A saúde bucal e o resgate da dignidade caminharam juntos na Baixada Santista nesta semana. Pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social, atualmente acolhidas em abrigos municipais de Santos, passaram por um amplo mutirão de avaliação odontológica gratuita. A ação aconteceu na última segunda-feira (18), nas dependências da clínica odontológica da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), localizada no bairro da Encruzilhada.
O mutirão social foi viabilizado por meio de uma cooperação técnica firmada entre o curso de Odontologia da universidade e a Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) do município. O projeto tem caráter semestral e foi estruturado com uma logística de alta capacidade, projetando a realização de até 200 atendimentos concentrados em um único dia.
Diagnóstico e tratamentos imediatos
Durante o mutirão, os pacientes passaram por triagens completas conduzidas por estudantes e professores da instituição. O objetivo principal foi mapear as maiores necessidades urgentes e realizar os primeiros procedimentos terapêuticos.
“Fazemos uma entrevista estruturada a fim de coletar o histórico clínico e, a partir de uma avaliação odontológica, sanamos problemas pontuais, como cáries, limpeza e raspagem, além de priorizar os atendimentos de urgência”, explicou a professora do curso, Lígia Rodrigues Xavier.
Para muitos dos acolhidos, a ação representou a oportunidade de retomar um cuidado básico de saúde que estava negligenciado há anos devido às duras condições das ruas. É o caso de A. P., de 47 anos, acolhido há dois meses na Seção de Acolhimento e Abrigo Provisório de Adultos, Idosos e Famílias (Seacolhe), que não passava por uma consulta com dentista há sete anos. "Tenho dor na gengiva e esse tipo de revisão ajuda bastante a gente que não pode pagar", relatou.
A mesma realidade foi compartilhada por M. I. P., de 62 anos, que acompanhou o irmão H. P. F., de 58 anos, também morador do Seacolhe. "Ele já perdeu boa parte dos dentes e essa avaliação vai ajudar a apontar o que precisa ser tratado. Ele tem muitas cáries", explicou a familiar.
Porta de entrada para o tratamento completo
O diretor do curso de Odontologia da Unimes, José Cássio de Almeida Magalhães, destacou que a iniciativa cumpre a função social da universidade e serve como ponto de partida para a reabilitação oral completa dos assistidos. De acordo com ele, o serviço prestado funciona como uma porta aberta para que esses pacientes deem continuidade a tratamentos mais complexos nas próprias clínicas da faculdade ao longo do ano.
A secretária de Desenvolvimento Social de Santos, Renata Bravo, celebrou os resultados da força-tarefa e reforçou o impacto psicológico e social que o tratamento gera na vida de cidadãos que buscam reconstruir suas trajetórias.
“Cuidar da saúde bucal também é cuidar da dignidade e da autoestima. Parcerias como essa ampliam o acesso a serviços essenciais e reforçam o nosso compromisso com um atendimento cada vez mais humanizado para quem mais precisa”, concluiu a chefe da Seds.
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