Com oito casos registrados, especialistas explicam que ambiente controlado da embarcação facilitou o rastreamento e isolamento de contatos

Redação Publicado em 13/05/2026, às 13h33
A Organização Mundial da Saúde (OMS) agiu rapidamente nesta semana para conter não apenas um surto de hantavírus no navio de expedição MV Hondius, mas também uma onda de temor internacional sobre uma possível nova pandemia. Em comunicados oficiais, a entidade reforçou que o risco global permanece baixo e que as características do vírus são muito diferentes das observadas no início da Covid-19, em 2020.
O episódio ganhou os holofotes após passageiros da embarcação, que partiu de Ushuaia, na Argentina, apresentarem sintomas graves durante uma expedição pela Antártida. Até o momento, foram confirmados oito casos e três mortes causadas pelo vírus Andes, uma variante rara do hantavírus encontrada na América do Sul. O navio, que transportava 147 pessoas de 23 nacionalidades, desembarcou em Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde uma megaoperação de rastreamento foi montada.
Transmissão limitada
Especialistas explicam que o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com excrementos de roedores infectados. Diferente de vírus respiratórios, a transmissão entre humanos é considerada rara e, no caso do vírus Andes, ocorre apenas de forma muito limitada. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, tranquilizou a população europeia afirmando que não há evidências de transmissão sustentada na comunidade.
A investigação aponta que as infecções provavelmente ocorreram em terra firme, durante visitas a áreas rurais na Argentina ou no Chile, antes do embarque. A OMS destacou ainda que a resposta rápida foi possível graças aos novos protocolos de vigilância adotados pela indústria de cruzeiros após 2020. Como o grupo estava confinado e monitorado, o rastreamento de contatos tornou-se muito mais eficiente do que em surtos urbanos.
Monitoramento
Apesar do otimismo das autoridades, o estado de atenção deve durar mais algumas semanas devido ao longo período de incubação do vírus. Passageiros que retornaram para países como os Estados Unidos permanecem em centros especializados de biocontenção em Atlanta e Nebraska para observação preventiva.
O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças classificou o risco para o continente como "muito baixo". A orientação final da OMS é clara: a população deve evitar o alarmismo e buscar informações apenas em canais oficiais, entendendo que o hantavírus é uma doença conhecida há décadas e com comportamento epidemiológico controlado.
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