Quem é a juíza que virou alvo por fazer Medicina enquanto trabalhava no TRT-2

A Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho iniciou uma apuração formal sobre o caso, que agora está sob sigilo e análise do TRT-2

A juíza Adriana de Jesus Pita Colella enfrenta apuração interna após revelações sobre seu curso de Medicina e funções no TRT-SP. - Imagem: Reprodução | Jornal da Band
A juíza Adriana de Jesus Pita Colella enfrenta apuração interna após revelações sobre seu curso de Medicina e funções no TRT-SP. - Imagem: Reprodução | Jornal da Band

Marina Milani Publicado em 26/11/2025, às 08h07


A juíza Adriana de Jesus Pita Colella, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), tornou-se alvo de apuração interna após a revelação de que cursou Medicina, incluindo a etapa de internato, ao mesmo tempo em que exercia suas funções na magistratura. O caso reacendeu debates sobre transparência, acúmulo de atividades e a compatibilidade de horários exigida pelo serviço público.

Adriana, que atua em Santos, deve concluir o curso de Medicina até o fim de 2025. A polêmica surgiu a partir de questionamentos sobre como a magistrada teria cumprido simultaneamente a carga horária da graduação e o expediente obrigatório no Tribunal. O internato na Santa Casa de Santos estabelecia presença superior a 90 por cento entre 2024 e 2025, com atividades das 8h às 17h. No mesmo período, o horário de trabalho da juíza no TRT-2 era das 11h30 às 18h.

A sobreposição quase integral entre os dois expedientes gerou a suspeita de que, por quase dois anos, a magistrada estaria em dois lugares ao mesmo tempo. O episódio provocou comentários irônicos dentro da comunidade jurídica, comparando a situação ao fenômeno religioso da bilocação, mas sem o caráter divino atribuído pela Igreja Católica.

A repercussão mobilizou juízes da própria Corte, que tentaram barrar a promoção de Adriana de Jesus no mês passado. Apesar das pressões internas, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, desembargador Valdir Florindo, rejeitou os pedidos e manteve sua elevação ao cargo de juíza titular.

Com a intensificação das críticas, a Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho solicitou à Corregedoria Regional que forneça informações detalhadas sobre o caso. A determinação acelerou a abertura de uma apuração formal, que agora corre em sigilo.

Em nota, o TRT-2 informou que está analisando a situação e que todas as medidas administrativas cabíveis serão adotadas.