Rosana e outros deputados tiram o acesso do trabalhador a uma instituição que protege direitos elementares

Jair Viana Publicado em 11/10/2024, às 10h49
A deputada federal Rosana Valle (PL), candidata à Prefeitura de Santos, defende uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa extinguir a Justiça do Trabalho, retirando dos trabalhadores uma importante ferramenta de proteção aos seus direitos. A proposta, que conta com o apoio de outros parlamentares bolsonaristas, também prevê o fim do Ministério Público do Trabalho e das varas especializadas em questões trabalhistas.
Desde o início, Rosana tem sido uma das apoiadoras dessa PEC, que foi apresentada pelo deputado federal Paulo Eduardo Martins (PSC-PR). Segundo o parlamentar, a Justiça do Trabalho é o ramo mais caro do Judiciário e estaria incentivando a judicialização excessiva no país. Ele argumenta que, após a Reforma Trabalhista de 2017, o número de ações trabalhistas diminuiu, o que justificaria a extinção desse ramo e sua integração à Justiça Federal.

A proposta sugere a criação de varas especializadas dentro da Justiça Federal para tratar de matérias trabalhistas, com o objetivo de reduzir os custos da União. "A integração da Justiça do Trabalho à Justiça Federal contribuirá para a economia nos gastos com a prestação jurisdicional, preservando o tratamento especializado para questões trabalhistas", afirma o deputado Paulo Eduardo Martins.
Essa não é a primeira vez que a Justiça do Trabalho enfrenta tentativas de extinção. Segundo Alpiniano do Prado Lopes, procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO), "projetos como esse surgem de tempos em tempos, especialmente vinculados a governos anteriores. A tentativa de eliminar esses órgãos de proteção trabalhista não é nova e reflete interesses alinhados ao capital".
A professora e juíza do Trabalho Valdete Souto Severo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também critica a proposta, destacando que o ataque à Justiça do Trabalho não é uma novidade. "Há uma insistência em extinguir essa justiça, que é uma das mais eficientes do país. É a justiça que trata dos direitos sociais e, por isso, sempre acaba sendo alvo", afirma.
O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, outro defensor da proposta, alega que a intenção é "modernizar a estrutura do Judiciário, tornando-o mais célere para atender as demandas da sociedade e garantindo uma maior segurança jurídica".
Contudo, para críticos, a PEC representa um ataque direto aos trabalhadores, que perderiam o acesso a uma justiça que historicamente protege seus direitos básicos. A extinção da Justiça do Trabalho, segundo especialistas, seria um retrocesso nas conquistas trabalhistas do país.
Leia também

Líder do PCC é preso na Imigrantes com drogas ao subir da Baixada Santista

Motociclista morre após colidir com caminhão estacionado em São Vicente

Primavera Criativa acontece em Santos; confira programação

Homem morreu afogado e outro desapareceu em praia do litoral de São Paulo

Eduardo Bolsonaro usa Fake news para atacar aliado do governador de São Paulo

Polícia apreende mais de 200 kg de cocaína em imóvel usado como fachada em São Vicente

Santos vence na Vila, embala no Brasileirão e ganha posições na tabela

Homem é detido após invasão e furto em escola municipal de Santos

Feriado de Páscoa provoca congestionamento nas rodovias rumo ao litoral de SP

Marquise desaba no Centro de Santos e deixa feridos durante a noite