Quatro servidores da Receita Federal são investigados por acessos indevidos a dados sigilosos de ministros do STF e seus parentes

Redação Publicado em 19/02/2026, às 13h53
No bairro Vila Lygia, em Guarujá, o clima é de incerteza após uma servidora da Receita Federal virar um dos alvos de uma operação que investiga o suposto acesso indevido a dados de ministros do STF. Ruth Machado dos Santos, que atua na cidade desde os anos 90, teria, em tese, consultado informações sigilosas sem autorização oficial. O marido da servidora, ao ser procurado em sua residência no litoral, evitou dar detalhes sobre o caso, mencionando apenas que a família continua tentando entender a situação e que ela supostamente ainda não possui um advogado constituído para sua defesa técnica.
Foco da investigação no litoral
A suspeita que recai sobre a funcionária de Guarujá faz parte de um conjunto de supostas irregularidades apontadas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo o que foi levantado até agora, teriam ocorrido múltiplos acessos que não deveriam ter sido feitos no sistema do Fisco. Os vizinhos da servidora em Guarujá, que a conhecem como uma pessoa discreta e religiosa, ficaram surpresos com a notícia. Vale reforçar que nada foi provado ainda; por enquanto, o que existe é um afastamento preventivo do cargo e o cancelamento de passaportes enquanto a Polícia Federal tenta esclarecer o que de fato aconteceu.
Outros possíveis envolvidos e o rastro digital
Além do caso registrado em Guarujá, outros servidores também estão sob a lupa da justiça por supostamente participarem dessa rede de vazamentos. Um auditor que mora em São José do Rio Preto e um técnico lotado em Salvador também tiveram seus nomes citados na investigação. Existe ainda a menção a um funcionário do Serpro que estaria emprestado ao órgão. A tese dos investigadores é que esses profissionais poderiam ter utilizado suas senhas para visualizar dados privados, mas a defesa dos envolvidos ainda não apresentou sua versão oficial dos fatos.
O Serpro, empresa que cuida da tecnologia desses dados, explicou que qualquer movimentação nos sistemas supostamente deixa rastros digitais. Isso significa que a perícia vai analisar se esses acessos foram feitos por necessidade de trabalho ou se houve, de fato, uma intenção de vazar informações. Até o momento, os suspeitos são tratados como investigados e terão a oportunidade de se manifestar em depoimentos agendados pela PF.
Questionamentos sobre a validade da operação
Apesar da repercussão, o processo é cercado de dúvidas jurídicas. Especialistas apontam que, como esses servidores não possuem foro privilegiado, o caso supostamente deveria estar sendo analisado por um juiz de primeira instância, e não diretamente pelo STF. Além disso, as informações sobre quais dados teriam sido acessados ainda não foram detalhadas publicamente, mantendo a investigação em um campo de muitas suposições.
Outro ponto que gera debate entre juristas é o fato de os nomes terem sido divulgados antes de uma conclusão definitiva. Há o receio de que, caso as suspeitas não se confirmem no futuro, a imagem dessas pessoas já tenha sido prejudicada injustamente. Por enquanto, a polícia trabalha com a hipótese de que esses vazamentos possam ter alguma ligação com denúncias recentes sobre negócios de familiares de magistrados, mas nada disso foi confirmado oficialmente pelas autoridades competentes.
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