Polícia

Operação "Cerco Fechado" prende suspeito de envolvimento na morte do policial em Santos

Luiz Gustavo, conhecido como 'Sem Coração', é suspeito do brutal assassinato do policial civil Marcelo Cassola em 2022

O caso Cassola, que chocou a sociedade, ainda apresenta lacunas - Imagem: Reprodução
O caso Cassola, que chocou a sociedade, ainda apresenta lacunas - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 01/04/2026, às 09h21


A Polícia Civil de Santos deflagrou, na manhã desta terça-feira (31), a operação “Cerco Fechado”, focada no combate ao crime organizado e no cumprimento de mandados judiciais em áreas de difícil acesso. O principal alvo da ofensiva foi Luiz Gustavo Souza dos Santos, de 23 anos, conhecido pelo apelido de “Sem Coração”. Ele é apontado como um dos envolvidos no brutal assassinato do policial civil Marcelo Gonçalves Cassola, ocorrido em agosto de 2022.

Coordenada pela Delegacia Seccional de Santos, a ação mobilizou diversas unidades após três meses de investigações intensas. Contra Luiz Gustavo, havia mandados de prisão temporária e de busca e apreensão.

Além da suspeita de participação no homicídio do agente público, o detido também é investigado por tráfico de drogas e outros crimes graves na região. Após a formalização da prisão, ele foi encaminhado ao sistema penitenciário.

Caso Cassola

A prisão de "Sem Coração" traz um novo fôlego para um caso que ainda apresenta muitas lacunas. O papiloscopista Marcelo Gonçalves Cassola, de 50 anos, era uma figura respeitada na corporação, chefiando o setor de identificação no Palácio da Polícia e integrando a diretoria do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpolsan). Ele foi executado na noite de 22 de agosto de 2022, na Caneleira, em Santos.

O cenário do crime chocou as autoridades na época: o corpo de Cassola foi encontrado com as mãos e pernas amarradas, apresentando sinais claros de tortura e mais de 30 perfurações causadas por tiros de fuzil e pistolas de diversos calibres. O veículo do policial, um Honda Fit, foi roubado pelos criminosos e localizado posteriormente abandonado em Cubatão. O agente deixou esposa e dois filhos pequenos, que na ocasião tinham apenas 1 e 5 anos de idade.

Reviravoltas judiciais 

Apesar da nova prisão, o desdobramento jurídico do caso tem sido complexo. Em janeiro deste ano, a Justiça de Santos decidiu pela impronúncia de cinco acusados que haviam sido presos anteriormente por suspeita de participação no homicídio.

Na prática, a juíza entendeu que não havia provas robustas o suficiente para levá-los a júri popular, destacando que as acusações se baseavam majoritariamente em relatos indiretos ("ouvir dizer").

A captura de Luiz Gustavo nesta terça-feira é vista pela Polícia Civil como uma oportunidade de consolidar novas evidências e esclarecer a hierarquia e a motivação por trás da execução do policial. A defesa do investigado não foi localizada até o fechamento desta reportagem, mas o espaço segue aberto para manifestações. A operação "Cerco Fechado" continua em andamento para reprimir o tráfico e localizar outros foragidos estratégicos nos morros santistas.