Operação apreende computadores e celulares após denúncia de irregularidades envolvendo planos de saúde e atendimentos a crianças

Manoela Cardozo Publicado em 19/12/2025, às 12h57
A Polícia Civil realizou na manhã desta quinta-feira, 18, uma operação na sede da clínica Almai Instituto de Neurodesenvolvimento Infantil, localizada na Avenida Pedro Lessa, em Santos. A ação foi desencadeada a partir de uma denúncia apresentada por uma operadora de plano de saúde, que levou à abertura de inquérito para apurar possíveis crimes de estelionato, associação criminosa e falsificação de documento particular.
A investigação envolve os responsáveis pela clínica, Polyanna Ribeiro de Oliveira Muniz e Gustavo Silva Muniz, além da própria instituição. Durante a operação, agentes apreenderam computadores e aparelhos celulares que serão submetidos à perícia. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou detalhes adicionais sobre o andamento das diligências.
Segundo a denúncia encaminhada às autoridades, a operadora recebeu de forma anônima documentos e áudios que apontariam a existência de um esquema de fraudes contra planos de saúde. Entre as irregularidades relatadas estão pedidos de autorização para um número considerado incompatível com a capacidade física de atendimento, com registros que chegariam a até 500 sessões mensais por paciente.
O material também indica suspeitas de uso de diplomas e certificados de especialização falsos para viabilizar o credenciamento irregular de profissionais. Outro ponto citado é o suposto pagamento de incentivos financeiros a médicos para a emissão em larga escala de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista, o que teria inflado artificialmente a carga horária de terapias faturadas.
Ainda conforme a denúncia, a clínica teria pago mensalidades de planos de saúde de alguns beneficiários para mantê-los vinculados aos atendimentos, além de empregar estagiários sem a supervisão adequada. Há relatos de cobranças por sessões que não teriam sido realizadas, falsificação de assinaturas em guias de atendimento e obtenção indevida de logins e senhas de aplicativos de usuários.
Outro aspecto sob apuração é a possível manipulação de sistemas de validação biométrica, com o uso de imagens dos pacientes para permitir o faturamento de atendimentos sem a presença efetiva das crianças. As supostas práticas teriam gerado ganhos financeiros indevidos, prejuízos às operadoras e potenciais riscos à saúde de pacientes com TEA, em razão de atendimentos possivelmente inadequados.
O caso segue em investigação, e as autoridades irão apurar a veracidade das denúncias e a eventual responsabilidade dos envolvidos. A reportagem tentou contato com a clínica, mas não obteve resposta até a publicação.
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