Órgão cita divergências milionárias em dívida de IPTU e mudanças nas leis de zoneamento de Santos como fatores de insegurança para investidores

Redação Publicado em 11/06/2026, às 10h49
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou oficialmente, nesta quarta-feira (10), a suspensão imediata do leilão do terreno que abriga o CT Rei Pelé, centro de treinamento do Santos Futebol Clube. O certame, organizado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), está agendado para o dia 4 de agosto, mas agora corre o risco de ser barrado devido a uma série de impasses técnicos e jurídicos apontados pelo órgão fiscalizador.
Em documento assinado pelo procurador da República Thiago Lacerda Nobre, o MPF argumenta que o processo de alienação do imóvel possui graves controvérsias tributárias, patrimoniais e de avaliação de mercado que precisam ser integralmente sanadas antes que a área pública seja repassada à iniciativa privada.
O terreno da União, que é ocupado historicamente pelo Santos FC sob regime de concessão, possui uma extensão de 39.027,56 metros quadrados na cidade de Santos. A estrutura foi avaliada globalmente em cerca de R$ 79,7 milhões (sendo R$ 71,5 milhões correspondentes estritamente ao valor da terra nua). O complexo é vital para o cotidiano do Peixe, abrigando os campos de treinamento do elenco profissional e das categorias de base, o hotel Recanto dos Alvinegros, a academia, o setor médico e as áreas administrativas do clube.
Questionamentos sobre o valor real do terreno e IPTU
O primeiro grande nó apontado pelo Ministério Público Federal reside na defasagem do laudo técnico que definiu o preço mínimo do leilão. A investigação do MPF constatou que a avaliação do imóvel foi finalizada antes da promulgação da Lei Complementar Municipal nº 1.315/2025 de Santos, que instituiu a Zona de Desenvolvimento Estratégico (NIDE 11) e alterou radicalmente os parâmetros urbanísticos e o potencial construtivo daquela região.
De acordo com o procurador, colocar a área à venda sem recalcular esses novos índices de aproveitamento imobiliário gera o risco iminente de prejuízo ao erário, com a alienação do patrimônio da União por um valor defasado e incompatível com a realidade econômica atual.
Além disso, a saúde fiscal do imóvel é alvo de dúvidas. O MPF identificou um apagão de informações sobre a real dívida de IPTU atrelada ao cadastro da área: enquanto uma pesquisa municipal apontava um passivo acumulado superior a R$ 2 milhões, outra consulta paralela indicava um débito de apenas R$ 27 mil. Para o órgão, essa inconsistência espanta investidores e traz extrema insegurança jurídica ao edital.
A queda de braço entre a União e o Santos FC
Outro obstáculo de alta complexidade para a realização do certame envolve as benfeitorias edificadas no local. O Santos projeta ter investido cerca de R$ 8,26 milhões de recursos próprios para transformar o terreno em um centro de excelência esportiva. O Ministério da Gestão e da Inovação defende a tese de que o clube perdeu o direito de retenção ou indenização por essas melhorias em razão de supostos descumprimentos de cláusulas contratuais da concessão.
O Santos contesta a União e briga pelo ressarcimento financeiro integral dos valores aplicados. A diretoria santista alega que a postura do Governo Federal configura um caso clássico de enriquecimento sem causa por parte da Administração Pública, que estaria inflando o preço de venda do complexo se valendo de melhorias modernas inteiramente custeadas pelo clube, sem dar a devida contrapartida.
Por fim, o MPF manifestou forte preocupação com as regras de desocupação do espaço. O edital prevê que o comprador que arrematar o lote assumirá sozinho o ônus financeiro, os riscos logísticos e a obrigação de ajuizar ações de reintegração de posse para retirar o Santos FC do local. O Ministério Público adverte que essa cláusula drástica esvazia o caráter competitivo do leilão, afastando potenciais compradores e depreciando o resultado financeiro da disputa.
Prazo de resposta da SPU e risco de judicialização
A recomendação fixa um prazo improrrogável de cinco dias úteis para que a Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo se manifeste oficialmente se acatará ou não a suspensão do leilão do CT Rei Pelé.
O MPF exige a paralisação preventiva de todos os atos decorrentes do certame (homologações, editais e adjudicações) até que uma auditoria refaça a avaliação da área, fixe a real dívida de IPTU e pacifique a disputa de indenização com o Santos. Caso a SPU ignore a recomendação e decida dar continuidade ao leilão de agosto, o Ministério Público Federal promete acionar a Justiça Federal com uma ação civil pública para travar a venda forçadamente e apurar a responsabilidade civil e administrativa dos gestores envolvidos.
Leia também

Marylin Monroe usava para dormir apenas duas gotas de Chanel

O olhar de Van Gogh diante da grandeza da arte japonesa

Dois suspeitos são presos durante investigação da Policia Civil

Jota Quest fará shows no aniversário de Santos em 2024

Criminosos atiram contra força-tarefa em morro do Guarujá para impedir derrubada de casas

Motociclista de 21 anos morre após atingir linha com cerol na Rodovia dos Imigrantes

Operação identifica furto de energia e apreende bebidas e cigarros irregulares em adega de Bertioga

BMW atinge poste, interrompe fornecimento de energia e motorista desaparece após acidente em Santos

Festival Santos Café oferece quatro dias de atrações gratuitas em Santos

Lobo-marinho é monitorado após aparecer descansando em praia de Mongaguá