Levantamento do MEC aponta redução em todos os nove municípios da Baixada

Redação Publicado em 03/03/2026, às 09h21
A Baixada Santista enfrenta um cenário de esvaziamento das salas de aula que exige atenção das autoridades públicas e especialistas em demografia. De acordo com a mais recente atualização do Censo Escolar, divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), a região registrou uma queda acentuada de 13,29% no número de matrículas na educação básica entre 2024 e 2025. Em números absolutos, o contingente de alunos encolheu de 476.374 para 413.067, o que representa a saída de 63.307 estudantes do sistema de ensino em um intervalo de apenas doze meses.
Este movimento não é isolado e acompanha uma tendência crítica observada em todo o território nacional. Segundo o MEC, o Brasil registrou em 2025 o maior recuo nas matrículas da educação básica em quase duas décadas, com uma retração de 2,3% (totalizando 46 milhões de alunos). Na região, o fenômeno foi ainda mais intenso que a média brasileira, afetando etapas que iam desde a educação infantil até o ensino médio, que nacionalmente foi a fase com o maior índice de abandono ou não renovação de matrículas.
Radiografia da queda por município
Ao analisar os dados por cidade, percebe-se que a redução atingiu todos os nove municípios da Baixada Santista, mas com intensidades variadas. O Guarujá apresentou o desempenho mais preocupante em termos proporcionais, com uma queda de 16,81%, perdendo mais de 14 mil alunos no período. Na sequência, Bertioga (-15,02%) e as cidades de Mongaguá e Itanhaém (ambas com -14,71%) completam a lista das localidades onde o encolhimento da rede de ensino foi mais drástico.
Entre as cidades de maior porte populacional, São Vicente registrou a queda mais acentuada (-13,04%), seguida de perto por Santos, que viu seu número de alunos cair de 96.131 para 83.839 (-12,79%). Praia Grande, embora também tenha registrado saldo negativo, apresentou a menor variação entre as grandes cidades, com -10,74%. Já no extremo sul da região, Peruíbe foi o município que melhor resistiu à tendência de queda, registrando o menor índice de retração de toda a Baixada Santista, com uma redução de 8,87%.
Possíveis causas e desafios futuros
Especialistas apontam que a combinação de fatores demográficos e socioeconômicos explica esse fenômeno. A queda na taxa de natalidade, que vem se acentuando no Brasil nos últimos anos, reflete diretamente na diminuição de crianças ingressando na educação infantil. Além disso, o impacto econômico nas famílias da região pode estar forçando jovens do ensino médio a abandonarem os estudos precocemente para ingressar no mercado de trabalho informal, ou mesmo motivando fluxos migratórios para outras regiões do estado ou do país.
O desafio para as prefeituras e para o governo estadual agora é redimensionar a oferta de vagas sem comprometer a qualidade do ensino. Com menos alunos, surge a oportunidade teórica de reduzir o número de estudantes por sala de aula e oferecer um atendimento mais individualizado, mas há o risco de fechamento de turmas e redução de investimentos caso as verbas vinculadas ao número de matrículas diminuam proporcionalmente. A compreensão profunda desses dados do Censo Escolar é o primeiro passo para o planejamento de políticas de busca ativa e de retenção dos jovens no ambiente escolar.
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