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Microplásticos: estuário em Santos é um dos lugares mais contaminados do mundo

Um dos pesquisadores do estudo que fez a descoberta falou com exclusividade à CBN Santos

Microplásticos: estuário em Santos é um dos lugares mais contaminados do mundo - Imagem: reprodução Unifesp
Microplásticos: estuário em Santos é um dos lugares mais contaminados do mundo - Imagem: reprodução Unifesp

Vitória Tedeschi Publicado em 11/07/2023, às 11h34


O estuário de Santos, no litoral de São Paulo, é um dos locais mais contaminados por microplásticos do mundo atualmente, substância que pode ser prejudicial tanto para o meio ambiente quanto para os seres vivos.

As informações são da Agência Fapesp que divulgou um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O levantamento foi feito a partir da análise de ostras e mexilhões de três áreas: na região da travessia de balsas Santos-Guarujá, na Praia do Góes e na Ilha das Palmas.

Na pesquisa, a equipe avaliou ostras e mexilhões de três áreas, em julho de 2021: a região da balsa Santos-Guarujá, a praia do Góes e a ilha das Palmas. De acordo com os pesquisadores, esses animais funcionam como sentinelas da contaminação, pois filtram a água para se alimentar.

Eles então compararam os dados da contaminação destes locais com dados internacionais, publicados anteriormente em mais de cem estudos de 40 países. Os resultados, publicados recentemente na revista científica Science of the Total Environment, mostraram que a área da balsa apresentou o maior nível de contaminação.

Nesse trecho, os animais avaliados apresentaram o pior estado nutricional e de saúde, com uma média que variou entre 12 e 16 partículas plásticas por grama de tecido.

“Em um dos mexilhões, nós encontramos mais de 300 microplásticos por grama. É importante destacar que o ponto de coleta do Góes era uma comunidade tradicional de pescadores até bem pouco tempo. Hoje, vivem cerca de 300 pessoas ali, uma praia que é meio afastada e só dá para chegar de barco ou por uma trilha. Muito provavelmente, [essas pessoas] consomem esses animais na dieta, tendo em vista que esse paredão rochoso é de fácil acesso aos pescadores”, destaca Victor Vasques Ribeiro, doutorando no Instituto do Mar (IMar-Unifesp), na pesquisa.

Como isso afeta a população de Santos?

Uma das preocupações ao descobrir que o local é um dos mais contaminados do mundo pode ser com relação às consequências para a saúde do seres humanos e se ela pode ser afetada, especialmente, pelos moradores da região.

"Considerando que os organismos encontrados no estuário têm altas concentrações de microplásticos e que as espécies que vivem no estuário assim como as próprias espécies avaliadas no estudo são consumidas como recurso alimentar é possível que as pessoas ao ingerirem organismos capturados, pescados no local possam estar ingerindo microplásticos", explica Ítalo Braga de Castro, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp), um dos pesquisadors do estudo, à CBN Santos.

Ele ainda cita que já existem pesquisas que apontam essa presença das partículas em diversos órgãos humanos - como o pulmão, sangue, placenta, baço, etc - e os sérios riscos dessa contaminação - câncer, disfunções hormonais e ovário policístico.

Apesar disso, Ítalo defende que a principal preocupação no momento é com relaão aos riscos ambientais da descoberta: "O risco mais sério agora é o ambiental, uma vez que o estuário e os organismos que lá vivem fornecem para os seres humanos muitos serviços ecossistêmicos que na medida que eles são impactados pela contaminação podem deixar de serem fornecidos causando prejuízos", explica ele.

Como reverter esse cenário?

A partir disso, o foco maior deve ser pensar em soluções para minimizar e reverter esse cenário problemático que já atinge o mundo todo.

Na maioria dos países do mundo o que tem sido feito é uma redução e uma substituição dos utensílios de plástico por materias que sejam ou duráveis ou que tenham uma maior degradação. Então, pensando em atitudes individuais, eu acho que é preciso uma mudança cultural e de comportamento visando reduzir o consumo diário de plástico", diz Ítalo Braga.

Ele ainda cita que outra grande fonte de contaminação encontrada na pesquisa foram as fibras, pequenas partículas de microplástico que tem origem origem dos tecidos durante a lavagem de roupa. Como elas não são filtradas nas estações de esgoto, acabam chegando até o meio ambiente, o que não é um problema apenas de Santos ou do Brasil, mas do mundo todo.

Ou seja, os microplásticos são uma grande problemática em diversos setores - tanto do consumo individual (canudos de plástico, talhes e pratos descartáveis), quanto da indústria têxtil, etc - que merece atenção dos grandes líderes para soluções de maior impacto.

O que são estuários?

De acordo com o portal Boicos, os estuários são locais onde a água do mar e dos rios se encontram e, inclusive, servem como berçário para muitas espécies de animais.

Além disso, os estuários são fundamentais para o sustento de uma ampla biodiversidade e para o desenvolvimento da humanidade. Contudo, o desenvolvimento do homem próximo ao ambiente costeiro e o sustento da biodiversidade local têm sido marcados por uma constante luta.

O que são microplásticos?

Os microplásticos são partículas minúsculas de plástico, quase invisíveis a olho nu, de até 5mm, que já foram encontrados no ar, na água, nos alimentos, nas fezes humanas, na placenta e no sangue humano e podem ser de origem: primária ou secundária.

Os de origem primária são os projetados para uso comercial, ou seja, produtos como cosméticos, microfibras de tecidos e redes de pesca. Já os de origem secundária resultam da quebra de itens plásticos maiores, como canudos e garrafas de água.

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