Animal de espécie ameaçada foi identificado no Parcel Dom Pedro pelo Projeto Mantas do Brasil

Redação Publicado em 28/04/2026, às 09h04
A biodiversidade marinha do litoral paulista ganhou um registro de peso nesta semana. Pesquisadores do Projeto Mantas do Brasil, iniciativa do Instituto Laje Viva em parceria com a Petrobras, avistaram uma raia-manta-gigante (Mobula birostris) no Parcel Dom Pedro, em Itanhaém. O encontro, ocorrido durante uma expedição de monitoramento, não apenas inaugura a temporada de avistamentos da espécie na região, como também resultou na identificação de um novo indivíduo para a ciência.
Identificação e batismo de "Moana"
A raia avistada é uma fêmea imponente, com envergadura estimada entre 5 e 6 metros e peso superior a uma tonelada. O registro foi feito pela mergulhadora e assistente de pesquisa Luiza Gomes, que teve a oportunidade de realizar a foto-identificação do animal. Através das manchas e pintas na região ventral, que funcionam como uma impressão digital única para cada indivíduo, a equipe confirmou que o animal ainda não constava nos arquivos do projeto.
Como responsável pelo primeiro registro visual subaquático, Luiza batizou a fêmea de "Moana". A pesquisadora notou um comportamento mais arisco do animal, que manteve distância dos mergulhadores, diferindo da curiosidade habitual da espécie. Além das características naturais, Moana apresentava a ausência da cauda, uma lesão severa que evidencia os perigos da interação humana e da pesca incidental no oceano.
Tecnologia e ciência cidadã
O sucesso da expedição foi fruto de uma combinação entre tecnologia de ponta e o apoio de pescadores locais. Nos dias que antecederam a saída de campo, a comunidade pesqueira já havia reportado avistamentos no Parcel Dom Pedro, o que permitiu aos pesquisadores otimizar o ponto de mergulho. No mar, a equipe utilizou drones para realizar varreduras na superfície, ampliando a área de monitoramento e facilitando a localização de animais que se aproximam da linha d'água para se alimentar.
A foto-identificação é a principal ferramenta utilizada pelo projeto para monitorar o deslocamento e a saúde desses animais ao longo dos anos. Ao catalogar novos indivíduos como Moana, os cientistas conseguem compreender melhor as rotas migratórias e o tempo de permanência da espécie no litoral de São Paulo, uma das poucas áreas do Brasil onde esses gigantes são observados com regularidade.
Importância ecológica e conservação
A raia-manta-gigante está atualmente classificada como espécie ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Por ser um animal filtrador, que se alimenta essencialmente de plâncton, sua presença é um indicador de que o ecossistema marinho local está saudável e produtivo.
Para Paula Romano, coordenadora-geral do Projeto Mantas do Brasil, avistar um exemplar deste porte "no quintal de casa" é um sinal de esperança para a conservação. A expectativa é que a temporada de 2026 seja produtiva e que novos registros ajudem a fortalecer as políticas de proteção para esta espécie vulnerável, que ainda sofre com os impactos das atividades humanas em alto-mar.
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