Com a prisão de RD e Pandora, a polícia acredita ter interrompido o fluxo de drogas e a comunicação da facção criminosa

Redação Publicado em 13/03/2026, às 09h02
A Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) de Itanhaém aplicou um golpe severo na estrutura de uma facção criminosa que atua no Litoral Sul. Em menos de 24 horas, duas peças-chave da organização foram retiradas de circulação. Na manhã desta quarta-feira (11), os agentes prenderam um homem de 36 anos, conhecido como "RD", apontado como o novo gerente e responsável pelo abastecimento de drogas no bairro Guapurá. A captura de RD foi um desdobramento direto da prisão de "Pandora" (também conhecida como Penélope), ocorrida no dia anterior, que exercia a função de "disciplina" e comandava tribunais do crime na região e no Vale do Ribeira.
A investigação ganhou velocidade após a prisão de Pandora, quando os policiais identificaram que RD havia assumido o controle do ponto de venda e planejava um grande reabastecimento para esta quarta-feira. Os agentes montaram uma campana e abordaram o suspeito no exato momento em que ele saía de uma residência com uma mochila volumosa. Dentro dela, a polícia já encontrou as primeiras evidências: porções fracionadas de cocaína, crack, maconha e a droga sintética K2, além de anotações detalhadas da contabilidade do tráfico.
Laboratório do tráfico e apreensão recorde
Ao permitirem a entrada no imóvel, os policiais se depararam com uma cena que reforçou a importância de RD na cadeia logística da facção. Sobre a cama de um dos quartos, os invólucros estavam organizados em série, prontos para a distribuição imediata. O balanço total da apreensão impressiona pelo volume e pela diversidade das substâncias:
Além dos entorpecentes, a DISE apreendeu um celular que servia de suporte para a logística das entregas entre os bairros Sabaúna e Guapurá. Com a queda de RD e Pandora em um intervalo tão curto, a Polícia Civil acredita ter desestruturado temporariamente a comunicação e o fluxo financeiro da facção no litoral.
Papel dos "disciplinas" e a continuidade das investigações
A prisão de Pandora revelou detalhes sombrios sobre a hierarquia local. Como "disciplina", ela era a responsável por garantir o cumprimento das regras impostas pela facção, aplicando castigos físicos e decidindo sentenças em grupos de mensagens. A apreensão de seu caderno de anotações e dispositivos eletrônicos foi o fio da meada que levou os investigadores até RD, evidenciando como a polícia tem utilizado a inteligência para atingir o escalão gerencial do crime organizado.
Agora, o material apreendido passará por perícia técnica, e os dados dos celulares devem abrir novas frentes de investigação. O objetivo da DISE é identificar outros integrantes que formam a rede de apoio entre o Litoral Sul e o Vale do Ribeira. Os dois detidos permanecem à disposição da Justiça e devem responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico, com agravantes pela ligação comprovada com organização criminosa.
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