Relatório aponta que disparo ricocheteou durante confronto no Morro São Bento, em Santos; caso foi encaminhado ao Ministério Público

Redação Publicado em 05/02/2026, às 14h09
A Polícia Civil de São Paulo concluiu que o disparo que matou o menino Ryan, de 4 anos, durante uma operação policial em Santos, foi feito por um policial militar agindo em legítima defesa, com o relatório enviado ao Ministério Público para análise.
O incidente ocorreu em 5 de novembro de 2024, quando a polícia perseguia suspeitos de crimes; Ryan, que brincava a vários metros do confronto, foi atingido por um tiro que ricocheteou, segundo laudos técnicos.
Embora a investigação tenha isentado os policiais de culpa criminal, eles podem enfrentar responsabilidade civil, e o Ministério Público agora avaliará as implicações do relatório final.
A Polícia Civil de São Paulo concluiu que o disparo que matou o menino Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, durante uma operação policial no Morro São Bento, em Santos, partiu da arma de um policial militar que agiu em legítima defesa. O relatório final das investigações foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo para análise.
O caso ocorreu em 5 de novembro de 2024, durante uma ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo no Morro São Bento, na cidade de Santos. Na ocasião, policiais perseguiam dois adolescentes suspeitos de envolvimento em crimes. Um deles, identificado como Gregory Ribeiro Vasconcelos, morreu, e o outro ficou ferido.
Durante o confronto, Ryan brincava na calçada com outras crianças quando foi atingido por um disparo no abdômen, a vários metros do local onde ocorria a troca de tiros. Ele não resistiu aos ferimentos.
Segundo o delegado Thiago Bonametti, responsável pela conclusão do inquérito na Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos, as provas reunidas indicaram que os policiais não tinham como prever que o menino seria atingido. “Do ponto de vista criminal, não foi possível atribuir culpa, imprudência ou negligência aos agentes”, afirmou.
O laudo da Polícia Técnico-Científica confirmou que o tiro partiu da arma do cabo da PM Clóvis Damasceno de Carvalho Junior. De acordo com o relatório, o projétil apresentava abaulamento — uma deformidade característica — e chegou ao corpo da vítima com energia reduzida, indicando que o disparo ricocheteou antes de atingir a criança.
Para a Polícia Civil, esse conjunto de evidências reforça a conclusão de que a morte de Ryan foi imprevisível no contexto da ação policial e ocorreu durante uma situação de legítima defesa.
O relatório também destacou que perícias no local confirmaram a existência de confronto armado. Armas de fogo foram encontradas ao lado dos suspeitos, e exames balísticos indicaram disparos efetuados por armas que não pertenciam aos policiais. Além disso, imagens analisadas mostram o adolescente morto portando arma de fogo e provocando a atuação policial, segundo a corporação. O suspeito sobrevivente confessou ainda que atuava no tráfico de drogas.
Apesar da conclusão na esfera criminal, a Polícia Civil ressaltou que os policiais envolvidos ainda podem ser responsabilizados na esfera cível. A decisão caberá agora ao Ministério Público, que analisará o relatório final.

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