Cultura

Lula perde de todos os adversários nas eleições à presidência

Tarcísio de Freitas abocanha 34,3% do eleitorado, contra 32,7% de Lula

Até a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que em nenhum momento anunciou que seria candidata, incomoda Lula com empate técnico - Imagem: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Até a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que em nenhum momento anunciou que seria candidata, incomoda Lula com empate técnico - Imagem: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Reinaldo Polito

por Reinaldo Polito

Publicado em 29/08/2025, às 15h58


As eleições presidenciais estão aí, batendo à porta. O que não falta é pré-candidato. De todos, entretanto, os que têm mais chances de vencer no segundo turno são aqueles que ainda não declararam sua intenção de concorrer. Podem fornecer indícios, mas cravar mesmo com todas as letras, ainda não.

Essa é uma velha estratégia. Todos sabem que assim que revelarem a disposição de participar, receberão pancada de todos os lados. José Serra, por exemplo, chegou a assinar um compromisso de que não seria candidato à prefeitura de São Paulo em 2004, mas depois mudou de ideia e concorreu.

Ao tentar explicar esse cavalo de pau, afirmou que assinar ou não assinar não fazia diferença. Apesar desse arrependimento surpreendente, venceu até com facilidade as eleições no segundo turno. Conquistou 3,3 milhões de votos, contra 2,7 milhões de Marta Suplicy.

Pesquisas favoráveis a Bolsonaro

Portanto, dizer que não vai concorrer, ou ficar quieto quando indagado, pelos exemplos históricos não quer dizer nada. É mais comum quem está com baixa aceitação popular se declarar candidato, já que, estando em desvantagem, não se torna alvo de ataques, como se viu nos casos de Caiado e Zema.

Os últimos levantamentos divulgados pelo Paraná Pesquisas mostram que Lula perde de todos os concorrentes. Jair Bolsonaro, que está inelegível, continua com a maior intenção de votos, 38,9%, enquanto o presidente chega apenas a 32,9%. Quando o nome do ex-presidente é retirado, o petista permanece em desvantagem.

Tarcísio vai bem

Tarcísio de Freitas abocanha 34,3% do eleitorado, contra 32,7% de Lula. Até a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que em nenhum momento anunciou que seria candidata, incomoda Lula com empate técnico, ele com 33,4% e ela com 31,5%. Em todos os cenários, outro que diz não ser mais candidato, Ciro Gomes, atinge um honroso 3º lugar, na casa dos 9%.

Tirando os bolsonaristas mais ferrenhos, ninguém acredita que Bolsonaro poderá reverter sua situação. Sua última luz de esperança ainda se apoia nas decisões de Donald Trump. O presidente americano tem feito de tudo para arrancá-lo das mãos do Judiciário. Mandou carta a Lula, deu inúmeras entrevistas, sempre dizendo que o ex-presidente é honesto, que não fez nada de errado e que esse julgamento contra ele é uma caça às bruxas. Que deve terminar imediatamente.

Agora vem uma CPMI

Lula tem a máquina nas mãos. Terá pouco mais de um ano para mudar esse cenário que teima em arrastá-lo para a baixa popularidade. Mas não estará só nessa jornada. Os concorrentes passarão a fustigá-lo com críticas cada vez mais pesadas.

Sem contar que agora tem início uma CPMI comandada por políticos da oposição, que farão de tudo para enfraquecer cada vez mais a sua imagem. Por isso, as chances de recuperação talvez sejam mínimas. Para escalar essa montanha, além de ações positivas, o trabalho de propaganda deve ser eficaz. Como sempre, em política, nada é impossível.

Tarcísio se mostra leal a Bolsonaro. Enquanto existir um fiapo de esperança para o ex-presidente voltar às disputas, o governador paulista continuará dizendo que é candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. A desincompatibilização é um problema sério. Dependendo da situação de Bolsonaro, se tiver de esperar muito, perderá o prazo, que se encerra em abril.

Gente de olho no lugar de Tarcísio

Além desses inconvenientes, há pressão daqueles que querem sua candidatura à presidência porque assim teriam condições de se candidatar ao governo de São Paulo. “Vai, Capita! Aproveite a chance; cavalinho selado só passa uma vez.” E, como no momento o ex-presidente continua fora do jogo, não é fácil para Tarcísio resistir aos sussurros dos pretendentes ao seu cargo.

Enquanto essas conversas se desenvolvem nas fronteiras paulistas, com apenas alguns rápidos deslocamentos do governador para garantir a projeção nacional, Michelle não dorme no ponto. Como presidente nacional do PL Mulher, rodou o país de ponta a ponta para levar sua mensagem. O resultado começa a aparecer nas pesquisas.

A beleza da democracia

Os números dos adversários de Lula são expressivos. Provavelmente, ele e seus assessores devem estar com a cabeça quente, tentando encontrar soluções. A política é assim: em determinado momento alguns estão em cima, gozando de alta popularidade; em outras fases estão embaixo, procurando meios de escalar os primeiros postos nas pesquisas.

Essa é a beleza da democracia. Se o gestor trabalhar direito, permanece no cargo ou indica o sucessor. Se não cumprir bem com as suas obrigações de governante, passa a faixa a quem o povo escolher para o seu lugar.

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