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Gestão Marcelo Teixeira tem contas de 2025 aprovadas sob protestos na Vila Belmiro

Com passivo total de R$ 998,5 milhões, Santos enfrenta desafios financeiros, incluindo R$ 470 milhões em dívidas de curto prazo

Conselho Deliberativo do Santos aprova contas de 2025 - Imagem: Reprodução
Conselho Deliberativo do Santos aprova contas de 2025 - Imagem: Reprodução

Gabriella Souza Publicado em 07/04/2026, às 08h50


O Conselho Deliberativo do Santos aprovou, na noite desta segunda-feira (6), as contas referentes ao exercício de 2025 da gestão Marcelo Teixeira. A decisão seguiu o parecer favorável do Conselho Fiscal, que se baseou em uma auditoria independente para validar os números.

Os conselheiros poderiam votar de dois modos, online ou presencial. Na Vila Belmiro, a votação terminou com 109 a favor, 37 contra e um apenas de abstenção. Já na internet, foram 58 votos a favor e 16 contra, contabilizando cerca de 75% de aprovação.

Apesar do respaldo dos conselheiros, o ambiente nos arredores da Vila Belmiro foi de insatisfação. Torcedores organizados se concentraram em um dos portões do estádio para protestar contra a diretoria. O presidente Marcelo Teixeira chegou a ser alvo de cobranças diretas na saída da reunião e tentou dialogar com alguns santistas que pediam explicações sobre a saúde financeira do clube.

Dívida bilionária

O balanço financeiro de 2025 expõe um cenário delicado para o Peixe. O passivo total do clube está fixado em R$ 998,5 milhões, aproximando-se da marca de R$ 1 bilhão. O dado mais alarmante reside nas obrigações imediatas: o Santos possui mais de R$ 470 milhões em dívidas de curto prazo, com vencimento previsto para os próximos 12 meses.

Principais indicadores financeiros:

  • Receita bruta: próxima de R$ 700 milhões (60% acima do previsto).
  • Venda de atletas: R$ 188,5 milhões arrecadados (meta era de R$ 100,3 milhões).
  • Déficit anual: R$ 79,3 milhões (abaixo da previsão inicial de R$ 89,5 milhões).
  • Dívida de longo prazo: R$ 761 milhões (vencimentos acima de um ano).

Arrecadação recorde e "receitas diferidas"

Mesmo com o déficit acumulado, a arrecadação superou as expectativas orçamentárias, impulsionada principalmente pela venda de jogadores. Além disso, o balanço aponta R$ 233,4 milhões em receitas diferidas, valores que não entram no cálculo de endividamento direto por representarem obrigações de performance e entrega, e não necessariamente pagamentos imediatos.

O Conselho Fiscal, embora tenha recomendado a aprovação, manifestou preocupação com o fluxo de caixa para honrar os compromissos de curto prazo.