Após críticas e apagões, Lula recua e admite rompimento com a Enel, concessionária de energia em São Paulo e região metropolitana

Marina Milani Publicado em 16/12/2025, às 19h35
A ofensiva liderada pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo prefeito Ricardo Nunes saiu vitoriosa. Após semanas de críticas públicas, pressão institucional e desgaste político provocado pelos sucessivos apagões em São Paulo, o governo Lula foi obrigado a recuar e sinalizou oficialmente o rompimento com a Enel, concessionária responsável pela distribuição de energia na capital e região metropolitana.
A decisão foi formalizada pelo Ministério de Minas e Energia, que anunciou o pedido à Aneel para abertura de processo que pode levar à caducidade do contrato da Enel. O movimento só ocorreu após reunião com Tarcísio e Nunes, que colocaram o Planalto contra a parede diante da insatisfação popular e do impacto direto na vida de milhões de paulistas.
Nos bastidores, a leitura é clara: Lula tentou segurar a Enel, mas não resistiu à pressão combinada do governo estadual e da prefeitura da maior cidade do país. Tarcísio e Nunes conseguiram transformar o caos energético em um tema político nacional, empurrando o governo federal para uma posição defensiva.
Enquanto o Palácio do Planalto adotava cautela, Tarcísio foi direto ao ponto, defendendo abertamente a revisão do contrato e questionando a capacidade da concessionária de cumprir suas obrigações. Ricardo Nunes, por sua vez, elevou o tom, denunciando falhas recorrentes, prejuízos econômicos e riscos à segurança da população, especialmente após os apagões prolongados provocados por tempestades.
A estratégia deu resultado. O governo federal, que inicialmente evitava qualquer sinal de rompimento, passou a admitir publicamente a possibilidade de retirar a Enel do controle da distribuição de energia em São Paulo — um claro recuo político.
O contrato da concessionária vai até 2028, mas agora entrou oficialmente na mira da Aneel. A abertura do processo representa, na prática, uma vitória política de Tarcísio e Nunes, que se colocam como defensores do interesse dos paulistas diante da inércia federal.
A Enel atende cerca de 8 milhões de consumidores e enfrenta desgaste sem precedentes. Já no campo político, o episódio consolida o protagonismo do governador e do prefeito, que conseguiram impor sua agenda e obrigar o Planalto a mudar de posição.
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