Trajetória da construtora reúne crescimento impulsionado por programas habitacionais, questionamentos sobre empreendimentos e posicionamentos da empresa diante de investigações e ações na Justiça

Redação Publicado em 03/07/2026, às 19h02
Fundada há mais de quatro décadas, a Direcional Engenharia tornou-se uma das principais empresas brasileiras voltadas à construção de moradias populares. Sob a liderança da família Valadares Gontijo, a companhia expandiu suas operações em diversos estados e consolidou sua atuação em programas habitacionais financiados pelo governo federal.
O avanço da empresa ocorreu principalmente com a ampliação do Minha Casa, Minha Vida. O modelo de negócios baseado em financiamentos públicos permitiu a entrega de milhares de unidades residenciais e ampliou significativamente a participação da construtora no mercado.
Enquanto investidores apontam o crescimento como resultado de ganhos de escala e padronização dos empreendimentos, especialistas também observam o debate sobre a dependência do setor em relação aos recursos públicos destinados à habitação.
Paralelamente ao crescimento, consumidores recorreram à Justiça para questionar problemas encontrados em imóveis entregues pela empresa. Entre os relatos aparecem infiltrações, fissuras, falhas de acabamento e outras ocorrências estruturais. Em determinados processos, perícias técnicas reconheceram vícios construtivos e embasaram decisões determinando reparos.
A Direcional também respondeu a ações civis públicas movidas pelo Ministério Público Federal envolvendo empreendimentos financiados com recursos públicos. Os processos abordaram questões ligadas à execução das obras e às condições de habitabilidade em estados como Amazonas, Goiás e Acre.
Segundo a construtora, parte dessas demandas já foi solucionada. A empresa afirma cumprir acordos firmados com órgãos públicos, destaca que algumas ações permanecem suspensas por decisões judiciais e sustenta que os empreendimentos atendem aos requisitos de segurança.
Outro episódio envolvendo o grupo teve origem em investigação sobre o uso de uma aeronave pertencente ao fundador Ricardo Valadares Gontijo em deslocamento relacionado ao poder público. O procedimento acabou arquivado e, conforme informado pela empresa, também houve decisão judicial afastando a existência de improbidade administrativa.

A companhia ainda foi mencionada em investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre cobranças praticadas por milícias na Zona Oeste. De acordo com as informações divulgadas na ocasião, a construtora figurava como possível vítima de extorsão.
Mesmo diante das diferentes investigações e ações judiciais, diversos episódios tiveram desfechos favoráveis à empresa ou foram encerrados por acordos. Ainda assim, a atuação da Direcional continua sendo acompanhada por consumidores, órgãos de fiscalização e pelo mercado imobiliário.
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